outubro 31, 2011

Coragem protestante

Lutero, interpretado por Joseph Fiennes

Por Daniel Grubba

Hoje comemora-se o dia de Reforma Protestante. Há exatamente 492 atrás que um monge subversivo, porém cativo a consciência do evangelho, afixou na porta da catedral de Wittenberg, suas 95 teses. Dentre muitos aspectos abordados, Lutero denunciou o abismo que havia entre a igreja católica e a Palavra, criticou também a corrupção moral do papado, e profetizou contra as insanidades daqueles que estavam negociando financeiramente a salvação da alma dos homens.

Sendo protestante ou não, você há de convir que este evento mudou completamente a história da humanidade. Por isso gostaria de homenagear esta data tão significativa fazendo apenas uma breve alusão a coragem protestante.

Precisamos reconhecer que o movimento da reforma não resumiu-se a este ato isolado de Lutero. Muitos outros dedicaram suas vidas contra a monopolização da mensagem do Evangelho. Foi, portanto, um movimento inteiramente marcado pela coragem de alguns homens, que ousaram enfrentar reinos, autoridades, papas, e toda a tirania dos poderosos. Refiro-me em especial os quatro grandes nomes da reforma: Lutero, Zuínglio, Calvino e Menno Simons.

Lutero foi intimado, ameaçado de morte, e forçado a retratar-se diante do poder imperial. Foi na Dieta de Worms (sessão do governo imperial) na Alemanha, chefiada pelo imperador Carlos V, que Lutero foi convocado para desmentir suas teses. O processo foi longo, durou muitos dias, e uma pressão enorme foi feita para que Lutero voltasse atrás. Como ele reagiu? Lutero se retratou ou não? Como ele respondeu diante de todos em Worms?

“Visto que vossa sereníssima majestade e vossas nobres altezas exigem de mim resposta clara, simples e precisa, vou dá-la, e é esta: Não posso submeter minha fé, quer ao papa, quer aos concílios, porque é claro como o dia que ele têm frequentemente errado e se contradito um ao outro. A menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras, não posso retratar-me e não me retratarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a consciência. Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa; queira Deus ajudar-me. Amém”.

Hoje falta “homens com peito” para enfrentarmos, com coragem protestante, os desafios do mundo moderno. Não falo só da igreja que está retornando ao paganismo medieval. A luta do cristão não deve se resumir aos caminhos da instituição cristã, mas principalmente ao estabelecimento da justiça na terra. Portanto, urge a necessidade de profetas corajosos que denunciam a perversidade dos sistemas de exclusão social, que lutam em favor dos bilhões de miseráveis da terra, e que não se calam diante da omissão da igreja frente aos problemas da humanidade.

Fonte: Púlpito Cristão

LUTERO, O CISNE ALEMÃO!

Judiclay S. Santos

Aos 22 anos de idade, o jovem Martinho Lutero entrou para o monastério de Erfurt. Dois anos depois, na ocasião da sua ordenação, nem Lutero nem qualquer outra pessoa sabia o que esse evento significaria para ele, para a igreja ou para o mundo.

O teólogo britânico, R. C. Sproul faz uma curiosa observação. Cem anos antes da ordenação de Lutero, o reformador da Boêmia, Jan Hus havia sido condenado à fogueira pelo famigerado Concílio de Constança (1415), sob a sentença de “pecado de heresia”. Hus teria dito ao bispo que ordenou a sua execução: “Você pode cozinhar este ganso, mas há de vir um cisne que não será silenciado”. Não era apenas um vaticínio, era um jogo de palavras. Seu nome, Hus, significa ganso na língua Tcheca.

Ao ser ordenado na capela agostiniana em Efurt, Lutero foi deitado com seus braços esticados na forma de cruz na base do altar da capela. Curiosamente, o lugar exato onde Lutero estava deitado, havia uma inscrição no piso de pedra que indica que abaixo do lugar estava sepultado o bispo que ordenara a execução de Jan Hus. Sproul confessa: “É uma grande tentação revisar a História e atribuir ao bispo uma resposta apropriada às palavras de Hus que um cisne surgiria. Gosto de pensar que o bispo respondeu: “Sobre meu cadáver!” De fato, foi sobre seu cadáver que o cisne foi ordenado”.

A Reforma eclodiu na Europa do século 16 por meio de uma conjugação de fatores. Embora tenha tido raízes e implicações políticas, econômicas e sociais, a Reforma foi essencialmente um movimento de retorno à sã doutrina, que propôs expurgar da Igreja doutrinas e práticas contrárias à fé cristã. O fato mais surpreendente é que a Reforma, ansiosamente desejada por muitos, teve o seu marco inicial com o protesto de um anônimo monge agostiniano numa pequena cidade com aproximadamente 3.500 habitantes. Lutero era apenas um ilustre desconhecido na insignificante cidade alemã de Wintemberg.

Graças à sábia providência divina, a Reforma avançou e redesenhou o mundo. O Senhor da Igreja age conforme o conselho de sua soberana vontade e usa os meios necessários para realizar os seus propósitos e manter o seu programa redentor. Lutero reconhece ter sido um vaso de barro. Não obstante as suas fraquezas, Deus o usou para edificar a Igreja do Senhor Jesus. “Não fiz nada. A palavra fez e realizou tudo”, disse o reformador.

Somos gratos a Deus pela vida de Lutero, pois embora tenha sido tão pecador quanto nós, foi um importante instrumento nas mãos do Senhor para promover o evangelho de Jesus Cristo.

Fonte: Judclay Santos